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Os primeiros
da região
Você sabe que os mais antigos
habitantes do Brasil são os povos
indígenas. Aqui, na Praia Grande,
viviam comunidades de índios. Mas,
quem eram eles? Como viviam? Que
língua falavam? Quais seus costumes?
Como se alimentavam? Existem
descendentes hoje destes antigos
habitantes?
É difícil obter informações sobre as
pessoas que moravam há muito tempo
em um lugar. É preciso realizar uma
grande pesquisa. Mas, quem faz este
tipo de pesquisa?
Quem pesquisa informações sobre
povos muito antigos são os
arqueólogos. Eles estudam objetos,
restos de alimentos, fogueiras,
lixo, ruínas de casas e esqueletos
de pessoas de milhares de anos
atrás. Analisam estes materiais e
conseguem informações importantes
sobre os costumes das pessoas que
viveram em um determinado lugar.
Aqui, nesta região do litoral de São
Paulo, os arqueólogos encontraram
muitos objetos de povos que viveram
por volta de 6000 a 7000 A.P.. Isto
indica que a Praia Grande tem uma
ocupação muito antiga.
*A.P. - significa antes do
presente.
Montes de conchas
Os mais antigos objetos encontrados
no litoral paulista estavam no que
poderia se chamar de "Montes de
conchas". Isto é, os povos que
ocupavam o litoral comiam
principalmente mariscos, ostras,
berbigão e peixes. Após se
alimentarem, deixavam os restos
desta alimentação sempre no mesmo
local, formando um grande monte de
conchas e ossos, chamado pelos
arqueólogos de sambaqui.
A palavra sambaqui é de origem
indígena, especificamente da língua
tupi - tampa = conchas e ki =
colina.
Os sambaquis chegam a ter cerca de
20 a 30 metros de altura e, dentro
deles, os arqueólogos já encontraram
diversos objetos: ossos de aves e
outros animais, machados esculpidos
em pedra lascada ou em osso,
instrumentos de corte como facas e
esqueletos de pessoas ali
sepultadas. Junto com os esqueletos
foram encontrados enfeites e outros
objetos que deviam ser de uso
pessoal do morto.
Os estudiosos chamam estes povos
antigos de Cultura Sambaqui.
Os sambaquis também são conhecidos
por casqueiras, caieiras ou caleiras,
ostreiras ou berbigueiras,
concheiras.
Os homens e mulheres dos sambaquis
desapareceram há 1000 anos e não se
sabe como isto aconteceu. Os
esqueletos encontrados indicam que
eram baixos e fortes e muito
diferentes fisicamente dos índios
Tupi que os portugueses encontraram
aqui no nosso litoral 500 anos
atrás.
Preservação dos
sambaquis
Você acha que é
importante preservar os sambaquis?
Que conselhos você daria a uma
pessoa que estivesse destruindo um
local como este?
Não existem mais sambaquis aqui na
Praia Grande. Foram destruídos por
pessoas que não sabiam da sua
importância para conhecer a história
dos primeiros moradores destas
praias.
Antigamente, quando os portugueses
chegaram aqui, as pessoas pegavam as
conchas dos sambaquis para fazer cal
e usá-lo na construção de casas.
Trituravam as conchas, queimavam em
fornos e misturavam o pó com óleo de
baleia e açúcar mascavo. Faziam
então uma argamassa, usada para
juntar as pedras nas construções,
assim como fazemos hoje com o
cimento. Durante centenas de anos
foram construídos muros, casarões e
igrejas com os sambaquis.
Populações indígenas
em nosso litoral
Há 1000 anos,
logo após o desaparecimento da
cultura sambaqui, novos habitantes
passaram a morar nesta região, como
indicam os estudos dos arqueólogos.
Eram povos indígenas que, além de
pescar, caçar e coletar frutos e mel
na mata, sabiam fazer potes de
cerâmica e produzir hortas e
quintais de mandioca, batata doce,
maracujá, algodão, abóbora, feijão e
inúmeros outros alimentos.
Há 500 anos, permaneciam aqui os
povos indígenas. Segundo o relato de
europeus, eram principalmente povos
de língua Tupi, como os Tupinambá,
os Tupiniquim e os Carijó, que,
infelizmente, não existem mais neste
litoral. Morreram nas guerras, na
escravidão e de doenças trazidas
pelos invasores estrangeiros.
Muitos costumes dos povos indígenas
que viviam nesta região foram
relatados em diários de viagens e em
tratados de estudo escritos por
europeus, que passaram por aqui,
fixaram sua moradia nestas terras ou
naufragaram nestas praias.
Você já ouviu falar de Hans Staden?
Ele foi artilheiro de um navio que,
em 1551, escapou de um naufrágio no
litoral sul do Brasil. Quando voltou
para a Europa, escreveu um livro
relatando sua aventura.
Neste livro, ele conta como
sobreviveu, o tempo que ficou
prisioneiro dos Tupinambá e o que
observou da vida das pessoas aqui no
Brasil, principalmente os diferentes
costumes dos povos indígenas.
Segundo Hans Staden, os índios Tupi
do litoral preferiam morar em
lugares onde encontravam água, lenha
para o fogo, caça e pesca. Quando
esgotava o alimento do local,
mudavam-se para outro. Construíam
grandes cabanas arredondadas,
cobertas com palha de palmeira, sem
divisória interna, onde moravam
várias famílias. Cada uma ficava com
um canto da cabana, onde acendia o
seu fogo. Em uma aldeia havia cerca
de sete cabanas.
Os índios Tupi também plantavam suas
roças. Derrubavam as árvores e
deixavam o local secar. Depois de
três meses, tocavam fogo no terreno.
Então, plantavam a mandioca.
Com as raízes da mandioca faziam
diferentes alimentos. Com a goma
fina faziam beijú, um tipo de
tapioca apreciada até hoje em certas
regiões do Brasil. Com a massa seca
e mais grossa faziam a farinha, que
era torrada em uma travessa bem
grande de barro.
Você preserva alguns destes costumes
indígenas? Você gosta de comer
farinha de mandioca? Conhece
tapioca?
Os europeus invadem as terras
brasileiras
Onde estão as aldeias indígenas
hoje? O que aconteceu com os
Tupinambá, os Tupiniquim e os
Carijó?
A maior parte dos índios que vivia
no território brasileiro entrou em
confronto com os europeus que
chegaram aqui a partir de 1500. As
lutas e as guerras foram constantes.
De um lado, os índios combatiam com
arco e flecha e do outro os
portugueses usavam suas armas de
fogo e seus canhões. Além disso,
muitos índios foram mortos pelas
doenças trazidas da Europa e da
África, como as gripes, a varíola, o
sarampo, certas disenterias e a
lepra.
Os europeus foram pouco a pouco
conquistando as terras e procurando
meios de enriquecer. Aqui, na região
de São Vicente, resolveram implantar
engenhos de açúcar, para vender para
a Europa, como faziam com sucesso
nas ilhas conquistadas por eles no
Atlântico.
Da Europa, eles trouxeram o costume
de considerar inferior todo trabalho
penoso, que exigisse força braçal,
comércio ou envolvesse ofício
artesanal. Os homens ricos e nobres,
chamados na época de "homens bons",
só podiam mandar, administrar sua
propriedade ou exercer cargos
públicos ou militares. Mesmo os
homens pobres, que tinham que
trabalhar duro para sobreviver,
desejavam se transformar em "homens
bons" e costumavam considerar
inferior certos tipos de trabalho.
Com estes costumes, os portugueses,
na capitania de São Vicente,
começaram a utilizar os índios
(gentios da terra), capturados nas
guerras e escravizados, para
trabalhar em seus engenhos,
transportar cargas nas viagens e
realizar serviços domésticos. Todo
tipo de trabalho que exigisse
esforço era imposto aos índios.
A escravidão Indígena
Pelas leis portuguesas dos séculos
XVI e XVII era proibido caçar índios
e transformá-los em escravos. Mas,
as mesmas leis permitiam capturar e
escravizar índios por meio do que se
chamava de "guerra justa". Qualquer
conflito entre os colonos e os
índios, que desencadeasse uma
guerra, podia ser o pretexto para
aprisioná-los e levá-los ao
cativeiro.
Os habitantes de São Vicente, Santos
e São Paulo criavam guerras só para
aprisionar índios e escravizá-los.
Preferiam sempre os tupis e
guaranis, que consideravam de mais
fácil convívio, apesar deles serem
os principais aliados dos
portugueses desde o início da
colonização. A maioria das guerras
eram então injustas e podiam ser
contestadas pela lei. Para manter a
aparência e não ter escravos índios
ilegalmente, muitos colonos
afirmavam que tinham "gentios
forros", ou seja, "índios livres".
Em testamentos de sitiantes e
fazendeiros do século XVII há muitos
"gentios forros" que são heranças
deixadas de pai para filho,
indicando que na verdade viviam sem
liberdade.
É com a lei portuguesa de 1680 que
se proíbe, sem nenhuma condição, a
escravização dos índios. Mas, mesmo
sendo ilegal, o aprisionamento e a
escravização continuaram pelos
séculos seguintes.
No tempo dos sítios
Alguém já foi a sua casa perguntar
quantas pessoas vivem nela e o que
fazem? Você sabe o que é
recenseamento?
Recenseamento é feito para saber
quantas pessoas vivem num lugar,
qual a idade delas, se estudam, se
trabalham. Com esses dados é
possível conhecer a população do
local, do que vive, no que trabalha,
no tipo de casa que mora e assim por
diante.
Quantas pessoas vivem na sua casa?
Qual a idade e qual o sexo de cada
uma delas? Quem trabalha na sua casa
e o que faz? Quem estuda? Qual o
tipo de construção de sua casa?
alvenaria? madeira? Sua casa é. . .
própria ? alugada ? cedida ?
No Brasil já foram feitos muitos
recenseamentos. Alguns deles, foram
realizados séculos atrás e são
fontes importantes de informação
sobre as pessoas que viviam e como
viviam aqui na Praia Grande.
Gaspar, Joaquim, Narciso, Lourenço,
Felipa, Escolastica, Cristovão,
Cleto, Onofre, Lorença, Faustino,
Anna, Josefa entre outros são nomes
de pessoas que viveram em sítios na
região de Praia Grande no ano de
1765. Sabemos disso porque, neste
ano, foi realizado o primeiro
recenseamento da capitania, mandado
fazer pelo governador D. Luiz
Antonio de Souza Botelho e Mourão.
Segundo o recenseamento, entre as "Prayas
de Taypus e Mongagua", como era
conhecido este nosso trecho da orla
no recenseamento de 1765, existiam
muitos sítios na região e
agricultores que utilizavam o
trabalho de negros forros e escravos
para produzir e abastecer a Vila de
São Vicente e Santos de produtos
agrícolas e artesanais.
Pelos recenseamentos dos primeiros
anos de 1800 e outros documentos da
época, os moradores daqui criavam
algumas cabeças de gado e plantavam
arroz, mandioca, cana de açúcar,
milho, feijão, batata doce, abacaxi,
pimenta, tomate, laranja e café.
Cortavam árvores para produzir
madeira e faziam chapéus de palha,
aguardente e farinha, que vendiam
parte nas vilas de São Vicente e
Santos para comprar outros produtos
que necessitavam.
Quem fazia o trabalho da roça e os
serviços da casa eram os escravos
negros, de origem africana. Eram
tantos na época, que constituíam
mais da metade da população da
região.
Hoje em dia, nada sobrou dos sítios
e dos pequenos engenhos. Permanecem
apenas os nomes de alguns deles nos
nomes de bairros atuais. Você pode
imaginar então que a vida na região
era muito diferente. Se hoje existem
casas, prédios e lojas; antigamente
aqui era uma zona rural.
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